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15 de março de 2013

Dica para o final de semana!

Fazem algumas semanas que eu não ando postando muitas coisas por aqui... É que como diria o imortal Cazuza "O tempo não para". E tem horas que a rotina louca não nos deixa nem os restos de suspiros. Porém, hoje é um novo dia.
Bom, conheci uma pessoa a qual estou virando completamente fã dos seus vídeos e, principalmente, da sua voz. O gosto musical e as músicas escolhidas são simplesmente fantásticos, em especial, algumas reproduções de Maria Gadú (acho que não preciso falar nem sobre o resto). A música é uma forma sensacional de expressão de sentimentos, de liberdade interna. Acho que até aqueles mais frios e calculistas, ao menos uma única vez na vida, já conseguiram se deixar levar pelo som de uma canção. O dia começa mais feliz, a tristeza encontra um recanto, o amor se perde nas palavras.
"Somos de feitos de carne, mas vivemos como se fôssemos de ferro". Há dois séculos atrás Freud fez essa citação. Esse é o momento que você para e pensa: Se há tanto tempo, já se faziam esse tipo de menção, imagine o que podemos pensar dos dias atuais? Pois é, triste humanidade, sempre querendo complicar tudo, sempre em busca dos erros e perdendo cada vez mais as soluções.
O fato é que muitos acreditam num ciclo vicioso. Atualmente, já não vejo mais isso. Somos surpreendidos o tempo inteiro. A força que os prende si em  mesmo , é a mesma que vos faz seguir em frente. Em meio a tudo isso, deixamos de apreciar as coisas d'alma, as formas mais espontâneas de enxergar que a vida pode ser bem mais bela. Acredito imensamente nos jovens que se dispõe a esse tipo de iniciativa, mesmo que a juventude seja algo tão banalizado nos dias de hoje.
Não existe nada mais gratificante do que a nova porta que a arte abre sobre as nossas mentes.
O vídeo acima é a música "Escudos" da majestosa Gadú. Se vocês quiserem conferir outros vídeos, é só buscar por Luiza Fittipaldi no Youtube.
P.S.: A quantidade de acontecimentos brasileiros e mundiais recentemente levará a muitos posts. Aguardem!

23 de fevereiro de 2013

É só fascinação




Já é fato consumado. É um medo que me paralisa. Na verdade, uma vontade de entorpecer por alguns instantes. Porque o temor agonia-me. Assusta-me. Envergonha-me. Encanta-me.
Não sei de onde veio essa fascinação. Apenas compreendo que chegou, há algum tempo, e veio pra ficar.
O brilho intenso dos teus olhos transmite-me o que eu jamais poderia explicar em palavras. Os pensamentos conseguem ser muito mais fortes, embora as ações sejam poucas. Olhos para acordar, olhos para dormir, olhos para amar. Mas, os olhares ainda são cegos, não se propagaram pelo ardor que se passa nas veias.
Corações mortos, pálidos e desajustados. É que amar é difícil. Trata-se de uma tarefa autodestrutiva, e às vezes, sufoca e enfarta ambos.
Entretanto, eu aprecio os olhos. São tão mais sensatos que os corações. Conseguimos conhecer um indivíduo inteiro por fisgar de olhares, o que desperta minha timidez. Aposto que isso acontece em qualquer ser capaz de dilatar suas pupilas.    
Contudo, desconheço a minha raça. Trocam as vidas por qualquer pedaço de pedra que brilhe, papel com números ou saquinhos de pó. Trocar olhares é tão mais fácil e prazeroso...
Amar os olhos, talvez seja o sentimento mais sincero. Amar os teus olhos, talvez seja o combustível de minha alma.

21 de fevereiro de 2013

IV. Acidez


É que a menina já não sabe mais amar. O suco que lhe restou foi feito com laranjas ácidas.
A dor que o peito no peito lhe corrompe, é de nunca ter experimentado o doce do amor. Aquele inesperado, empolgante, frenético e reconstrutivo.
Apenas lhe foi outorgada esta lei. Pois foi assim que disseram que ela tinha que ser. E agora confundem a pobre cabeça da ré dizendo que ser assim já não é mais tão bom.
Por Júlia H. Cativando-se. 
Ela fagocita o ar e corrobora mais uma vez dentro de si o que já não é mais novidade.
Valente? Só a carapaça. Não passava de mais uma mera mortal.
O brilho dos olhos e a chegada de sol eram o que lhe transmitia forças para mais uma batalha. Para ela, não havia nada mais belo que a natureza vos pudesse proporcionar. Os desconcertados risos e os abraços inesperados a deixavam tola. Que pena, era apenas Valentina. A simples moça do restaurante da esquina. Tinha o mundo na cabeça e migalhas nas mãos.

19 de fevereiro de 2013

Transparências



Já não sei mais. Nos pensamentos internos constantes, nos sentimos tão distantes da nossa realidade. Mas, essa é a “realidade” que queremos para nossas vidas.
Às vezes, tudo parece tão fácil, tão simples. Até pode ser. Porém, aquela ideia de ‘querer é poder’ parece nunca se encaixar em nossas vidas.
Não estou acometida pela pressa, a ansiedade já não é tanta. Na verdade, as Águas de março estão chegando tão rápido...
O pessimismo outrora é obra do destino. Mas, quem nunca pensou que algo não ia dar certo uma vez na vida, que atire a primeira pedra. Quem sabe a cruz que estamos carregando, não é aquela que podemos carregar. E como já diriam outros: Sem sofrimento, sem glória.
Agora tudo já parece mais transparente. É que, se vai junto, quem sabe vai bem, quem sabe não vai, que sabe se fica.
Esperamos por nossa imaginação fértil na calçada de casa, para nos trazer alguma alegria no final do dia. Esperamos aquele banho de horas, em que se precisaria de uma caderneta impermeável para registrar todos os pensamentos interessantes nesse momento. Esperamos por o momento de loucura, onde repensamos sobre tudo o que deveríamos ter feito e falado, existindo então, uma espécie de diálogo, onde interpretamos todas as personagens. Esperamos pelo travesseiro aconchegante. Esperamos pelo “Bom dia” de alguém querido. Esperamos pelo abraço da despedida. Esperamos que tudo isso aconteça de novo.
Aguardamos demais. A espera é inimiga do alcance. Só que certas horas, não se há o que fazer. Ou até se tenha. Mas o ter é difícil, falta ter coragem.

13 de fevereiro de 2013

Dez mais seis


Dezesseis não é mais quinze. Também não é dezessete, nem muito menos dezoito. É um pouco depois do início. É como se fosse o meio do meio do caminho andado no tabuleiro.
Dezesseis não é doce nem amargo, não é duro nem mole, não é fácil nem difícil.
É onde a irresponsabilidade da afetuosa infância começa a desaparecer. É quando o mundo já não é visto com os mesmos olhos sutis.
Dezesseis é aquele momento em que você começa a perceber que o esforço para apagar as velas tem que ser maior.
Está ficando mais perto de ser adulto, e mais distante de ser criança, mesmo que teus pais ainda te chamem de meu bebê. É que a gente nunca cresce para os nossos pais.
É a fase da negociação de liberdade, dieta de inocência, gula de descobertas, sede de revolução, cárcere de responsabilidades.
“As tardes não são mais fagueiras e não há mais sombras de bananeiras ou laranjais”. Isso era quando eu tinha “Meus oito anos”. Agora tenho o dobro.
Porém, ainda morremos de rir. Rimos até da morte.
Vimos o despontar da catapulta. Resta saber o destino dos ventos.
E que ansiosos ventos! Chegamos a soprar junto a eles. São as tais andorinhas que nos deixam inquietos.
Vencemos pela impaciência. Entretanto, também somos arruinados por ela.
É mais um dia. Um dia que calculam dezesseis anos desde aquela data.

12 de fevereiro de 2013

Ímpar: sem par



Dois poços cristalinos? Duas esmeraldas? Um par de pedaços do céu? 
Ainda não sei ao certo. Apenas tenho a certeza de uma profunda segurança que me transmitem.
Não tenho cartas com letras de forma, nem tenho lembranças. Na verdade, também não tenho vacina. É que não sou vacinada contra esse encanto que sobre mim se reflete.
A felicidade me deixa levemente sóbria. Estou embriagada de solidão. Só quero uma dose de você. Dou-te um porre de mim.
Amanhã é quarta-feira de cinzas. Foi o que me disseram. Eu sei que é quarta-feira. Porém, acho que as cinzas me contêm. Meu mundo agora é preto e branco. Procuro sua presença.
Meu pulso ainda pulsa, entretanto, não mais como antes. Falta o vermelho nas minhas artérias. Falta o calor do teu sangue no meu.
De que serve um arco-íris inteiro, se não tem a cor dos teus olhos? Porque tenho a confiança de que ela é única.
Podem medicar minha amargura e me contestar por inteira, que de nada adiantará. Teus olhos são meu único remédio.
O desespero que me aperta, é saber que só em nascer, prontamente estamos a morrer. Não quero perder mais um minuto de suspiro sem ti.
Espero muito, vivo pouco, faço planos demais.
É impossível se adaptar ao ímpar. O dois sempre soa melhor.
Esses teus dois brotos são o espelho da minha alma. Talvez ai eu demonstre minha profunda agonia por saberes realmente quem sou. Essas fitadas fixas me causam calafrios. É como se minha mente bebesse cicuta. Tudo parece parar devagar. Padecendo lentamente.
A timidez que não me pertence, cai sobre mim. Minha nuca arrepia.
Por algum tempo, noto que o infinito está dentro desse teu olhar. É tudo que eu mais preciso.
Disseram-me que cada olho tem sua beleza, e cada beleza tem seus olhos. E não estavam errados. Não existe menos distância entre tu e tal premissa. São as minhas pérolas, que me acompanham por onde quer que eu vá.
Quiçá tudo isso também não passe do meu maior medo. Tenho medo do meu olhar nunca cruzar com o teu.

   

10 de fevereiro de 2013

Inspiração da semana

Por Filipe Azevêdo. Filipe Azevêdo & Desenhos
É importante saber que a arte de se descrever e perceber aquilo que realmente está dentro de nós, não se encontra somente nas palavras. Como já havia citado aqui, as artes visuais também são uma de minhas paixões. A página com os desenhos de Filipe Azevêdo (facebook) não é só uma expressão de tal caráter, mas uma forma de nos introduzir também em outras áreas, como na história. O detalhismo dos desenhos é impressionante, algo que não é passível de ser descrito, apenas sente-se. O desenho exibido é um dos meus preferidos, acredito que a visita vale a pena.

7 de fevereiro de 2013

Desculpas avessas



A minha visão já não é a mesma. Está tão frágil, que se rompe em mim a cada minuto que se passa. Anseio que entendas o sentido de me fazer tão distante. É, eu sempre estou ausente. Mas, não sou ausente.
Não sou ausente porque mesmo de longe, meu pensamento se encontra contigo. Mesmo que a física não nos permita ocupar um só espaço, minha mente te guarda dentro de mim. É uma verdadeira overdose de fantasia. Infelizmente, a felicidade de viver nos propõe moços desafios na solidão.            
As novas, que já são antigas, não são mais tão novas, pois não são mais compreendidas. Tenho sempre a esperança guardada nos meus mais profundos silêncios, de que um belo dia, me entenderá.
Sabes que um amontoado de letras nunca me descreveu, eu sempre estive no meio de um vendaval. Agora, tentei organizar tudo em tais “palavras”. Não funcionou.
Ganhei algo que me convenceu. Reorganizei e chamei de “frase”. Minha persuasão ainda não te bastou. É que existem muitos pontos e vírgulas entre o nosso caminho.
Tenho poucas virtudes. Sinto poucos prazeres coletivos. Meu único egoísmo é achar a vida bela demais, tanto que quero aproveitar cada misero segundo comigo mesma. E nesse empasse, perdi você.
Perdi você assim como perdi muita gente, ganhei muitas outras, e as perdi outra vez. É que às vezes sou tão inconstante. Apenas espero a nova ascenção. A minha e a vossa.
Só te escrevo porque não aguento mais estas andorinhas dentro de mim. Só te escrevo porque vi que tu me destes por falta. Só te escrevo porque não há mais o que se fazer a não ser escrever.
Não sinto a entrega. Os ventos sopram superficialmente. Tão supérfluos, pobres rapazes.
Sei que compartilhamos a carapuça e os cheiros.
Sei que não há mais eu dentro de mim, pois ainda estou dentro de você.
Sei que os dias não serão iguais, as palavras não serão mais as mesmas, a voz será mais rouca e a palidez tomará de conta dos rostos.
Apeteço que um dia encontrará o meu legado. Assim como um dia encontrei o teu. 

9 de janeiro de 2013

A triste pata de elefante

Qual o motivo de escutares minhas orelhas? Não consigo enxergar o porquê, pois, elas nunca falam verdades.
O mundo me fez ter alma de macaco e elefante, respectivamente. Espero que minha manada não me siga um dia, mas, já tenho doze anos. Preciso ficar só para viver.
Não sabes utilizar tua tromba, e me destes, por algum motivo, o marfim dos teus dentes, pois os meus estão fracos e já começaram a cair. Minha história deveria se manter num eterno status quo, mas, encontrei uma pata de elefante no meio do caminho. Segui-a, e por fim, descobri que também sou um deles.
Perdi meus afins. Na verdade, tive que deixa-los. Eis aqui o meu triste fim.
Sou mexicana, e dizem que tenho que viver com protetor solar, o que me deixa inconsolada. Sinto falta das minhas flores, não há o que fazer, senão, observar as dos meus companheiros.
Apenas tenho orgulho das minhas raízes, sim, orgulho, pois foi você quem preparou o solo.
Minha imagem majestosa- gorda, orelhas grandes, nariz alongado e dentuça- só te mostra o que não sou, mas, que gostaria de ser.
Apenas espero que não vendas as minhas presas.
Minha reserva de água está se esgotando, a estiagem foi muito longa e o deserto se aproxima.
Não basta me ver para me conhecer, é preciso escutar-me, quer dizer, escutar minhas orelhas de paquiderme. Não me atinja com o seu elephant gun, se eu conseguisse, fugiria de você, porém, a vida me decretou a viver na savana.
Preciso ir, o céu está estrelado, o meu eu precisa ficar sozinho.
O meu pressentimento não estava errado, meus companheiros me seguirão, meus condutos nervosos me tornarão sensível e minhas cinco toneladas me deixam leve como uma pluma.