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16 de agosto de 2013

Guarda-chuvas

Águeda- Portugal.   Imagem Yahoo notícias.



Guarda-chuvas ambulantes
De todos os lados
Nas ruas, afoites
Guardando as lágrimas do céu

Cada gota, cada poça
Cada pé, cada passo
Cada cabeça, cada mundo

Guarda-chuvas corriqueiros
Movem-se depressa
Pés ligeiros
Correndo no sentido do córrego
Que deságua no mar da aflição

Dia que mais parece noite
Sol que não se vê
Vidas passageiras nas calçadas
Passageiros vivendo nos automóveis

Guarda-chuvas coloridos
Formas iguais
Funções semelhantes
E mesmos objetivos

Não se vê cara
Só se vê o mais caro
Coração nem se fala
O que vale é o ganha pão

Guarda-chuvas superficiais
Horas correm, tempo passa
Guarda-chuvas nunca param
E a água nunca cessa

Um dia um vento forte
Levou as hastes
Do guarda-chuva granfino
Do guarda-chuva branco
Do guarda-chuva preto
Do guarda-chuva rosa
Do guarda-chuva multicor
Só o que ficou foi o rastro de lama
Por onde o guarda-chuva  passou
De repente, então
A chuva parou.

Júlia Helena

15 de junho de 2013

Re(solução)

Não consigo despertar
Tá tudo tão claro lá fora
Aqui dentro a escuridão me apavora

O destino é longe
O caminho é difícil
Atravesso as ruas de minh’alma
Ainda sem saber para onde ir

Acreditar na intuição
Ou viver da razão?
O mundo grita a resposta
Meu universo autista me deixa surda
Eis a questão

Estou condenada a vida
Estou condenada a liberdade
De viver em mim

Essa luz intensa
Encandeia os meus sentidos
Onde estão meus óculos?

O amor equilibra minhas forças
A paz me empertiga
Os sonhos são o combustível do meu ser

Dizem que sonho não enche barriga
O desespero me comove
Mas ainda não sei o porquê

O destino é longe
O caminho é difícil
E o futuro é logo ali
Na esquina

Mandaram-me procurá-lo
E aqui está minha ruína

Sou filha do mundo
E no mundo nada vivi
Pois não me recordo de tal vida
Mas ela se lembra de mim
Tudo que tenho agora
É a juventude que está aqui
Porém não sei para onde vou
E muito menos de onde vim

Acreditar é o que me resta
Se é que karma pode existir
Talvez muita coisa boa
Ainda esteja por vir

Não desista, meu amor
Não tente nunca fugir
O poeta já dizia
“Que nada neste mundo levará você de mim
E como a distância não existe
E todo grande amor
Só é bem grande se for triste”
Não se permita me fazer sofrer
E se isso me fizer
Este poema não é mais pra você.

                              Júlia Helena

10 de janeiro de 2013

A camaleoa


Não irei me prolongar com mais de um dos meus discursos prolixos, mas não quero forçar ninguém a acreditar na minha candura, porque ela não existe.
Estou tão leve, o único problema é que me colocaram numa gangorra.
Não consigo apoiar meus pés no chão. Apenas acho que Dante esqueceu-se de mim na hora de contar os passageiros da barca. Ou não, acho que quem cometeu delito maior foi aquela maldita mulher de Epimeteu, que abriu um saco de crack. Calma, ou foi uma garrafa de cerveja? Ou foi um container de peles de onça? Ah, lembrei. Como eu poderia esquecer? Claro que foi uma caixa de... charutos.
É, você já sabe, porém, irei repetir apenas para lembrar-te: Somente o meu silêncio responderá tudo o que me perguntares. Amo o amor de ser amada. O mundo é o que me faz ser. Viver. Crescer. Criar. Imaginar. Amar. Morrer.
Sua influência é desigual, porém essencial. Mas, qualquer um pode ser essencial, desde que satisfaça o meu desejo momentâneo.
Talvez ninguém seja tão perfeito ao ponto de satisfazer-me por toda a vida. Talvez Einstein ainda fosse inventar a equação do amor. Tarde demais, ele já morreu.
Será mesmo que a rainha Rita tem que remendar a roupa do rei de Roma, que o rato roeu? Bom, acho que a rainha foi às compras com o dinheiro do rei. Comprou uma roupa nova e ainda aproveitou a liquidação de uma loja de sapatos.
O pior é que eu te odeio, às vezes, por dois segundos, depois te amo por milhões de outros. Apenas espere, se o teu orgulho não te deixa me amar, a força das minhas pernas para fazer a plateia do teatro da vida aplaudir meu “gran finale”, é bem maior.
Quem muita corda dar, a corda não irá conseguir parar.
A corda só me faz rodar, mas, libertei-me.
Num “demi plie” me abaixei, e no ar, um lindo “gran geté”. Só te dou um conselho de amigo, a ponta da minha sapatilha pode furar teus olhos.
E como diriam, se conselhos fossem bons, não seriam de graça, e sim, artigos de luxo.
Te dei o que não sabia dar, te disse o que não sabia dizer. Porém, agora o teu futuro é duvidoso.