Mostrando postagens com marcador cadeado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cadeado. Mostrar todas as postagens

10 de setembro de 2013

Minha reflexão- na tua mente

Timothy Archibald
Eu que tanto cobiço a defasagem
Sentia-me defasada do mundo
Sentimento que calha para a felicidade da alma
E entristece o corpo

Eu que tanto gritei nas esquinas
Clamando o protelamento do fútil
Agora me sinto defasada do toque
Que a solidão prolonga e a infelicidade perpassa

Sinto-me tão igual
Eu que sempre fui diferente
Eu que sempre quis ser
Agora estou aqui

Cito versos inúteis
Que não traduzem a extensão do meu vácuo interno
Falam pouco sobre o meu profundo sentimento
De ilusão não correspondida

Eu que sempre me procurei
Agora fujo de mim
Na esperança de encontrar-me
Do jeito que sempre quis

Eu que sempre olhava as silhuetas
Agora só vejo o escuro
A luz passou a ser a linha de chegada
Num túnel do tempo da vida

Falo de coisas pacatas
De idéias insensatas
Sei quase nada de mim
Talvez saiba um pouco mais sobre você

Eu que transpareço ingenuidade
Num quadro mal arquitetado de poesia
Não consigo poetizar a minha existência
Sou poeta da estranheza

Eu que sempre não quis ser o que era
Agora tenho saudades de mim
Quiçá isso realmente seja gente:
Dar valor ao que não se tem
E querer de volta o que se tinha

Eu que também já chorei por amores
Agora choro por não tê-los
Sereno que escorre dos meus olhos
Numa serenidade aparente e desespero interior

Esqueci de balancear o meu ego
Entrego-me a monotonia do tempo
Demonstro nas palavras meu fardo
E aposto em ti minha última ficha barata.

Júlia Helena


16 de junho de 2013

"Brasil, mostra tua cara"



A insônia não te deixa adormecer. Finalmente, um cochilo te aquieta. Foi rápido demais... Você acordou e voltou para o mundo em que as mães não são para sempre e chocolate engorda.
Sente-se atônita e, ao mesmo tempo, inútil por não poder fazer nada. Entretanto, parece que desta vez não foi só você que acordou deste breve cochilo.
Peço mil desculpas por usar os termos no gênero feminino neste desabafo de consciência. O fato pelo qual faço isso está ligado somente ao sexo a qual pertenço e jamais condiz com meu público leitor. Não tenho ao menos público- alvo para estas meras palavras. Apenas quero gritar a minha êxtase momentânea e tentar sucumbir o medo que mentalmente me apavora.
Prefiro dizer que também sou filha do mundo. E como todo filho de peixe, peixinho é, tenho a necessidade de refletir o que a minha raiz anda por mostrar.
Deixarei um pouco de lado essa enganação barata de texto (às vezes, odeio as regras da língua portuguesa, principalmente quando a ansiedade toma conta de mim). Acredito que já saibam aonde quero chegar. Ou se não sabem, ao menos cogitam algumas ideias.
Poderia citar diversos trechos poéticos do meu amabilíssimo Renato Russo para dar tal explicação. Mas, seria clichê demais (sem querer tirar toda honra e glória do mestre intelectual da ‘Geração Coca-Cola’) uma vez que os últimos acontecimentos da mídia cinematográfica já saturaram tal tema.
Vou tentar deter-me a palavras mais objetivas, pois, creio eu que uma certa vaia ainda ecoe na mente dos senhores. Não somente uma vaia – diversas imagens de uma população jovem que se rebela também estão em julgo- o que só faz crescer meu sentimento de inutilidade. Numa tentativa de atenuar tão situação é que vos escrevo, porque se você não é um patriota assíduo o bastante, utilize a desculpa de “tentar ajudar a corromper a vontade egocêntrica de alguns jovens que estão tentando mudar o país”.
Enquanto tentava organizar meus pensamentos, incrivelmente recebi a seguinte mensagem: “O sonho pode sobreviver a tudo, até a morte”. Então, a chama do meu sentimento logo voltou a tona, e pude realmente compreender a aflição de toda uma legião. Porém, não queria me deixar levar apenas pelos hormônios da juventude.
Se agora é esta a emoção que nos calha, não tenho a mínima discordância quanto a isso. Afinal de contas, a primeira coisa que veio em nossas mentes foi “Será que agora a população realmente tomou juízo?”.
Bem, o fato é que o projeto é verdadeiramente interessante e motivador. Tão motivador que cativa esse povo saturado e insipiente a lutar por uma causa justa, mas não verdadeira.
Muitas pessoas não sabem nem o porquê dos protestos, apenas deixam-se envolver pelo clima de euforia, coisa já bem típica dos brasileiros. A corrupção e as recentes injustiças do governo contra os índios ou o preconceito contra a união homo afetivo são exemplos de fatos que comprometiam toda a liberdade de uma nação, pois como diria Sartre, a liberdade não é um direito que nos foi concedido, ela nos foi outorgada.
Ninguém teve a coragem de atirar a primeira pedra. Eis que aparece esse grupo “paulista”, que utilizou o aumento dos preços das passagens de ônibus como a gota d’água.
A verdade é que não se pode esquecer que houve uma real emoção do ex-presidente (e de todos os brasileiros convictos) ao conseguir colocar nosso país numa posição notável no plano exterior. Sétima economia do mundo, tecnologia para pressal, sede da copa das confederações/ mundial e das próximas olimpíadas.
Pode-se dizer que estas conquistas são positivíssimas se levarmos em consideração todo o capital que será movimentado pela ação do turismo e até mesmo as obras públicas (que deveriam ser feitas mesmo sem os presentes acontecimentos) que serão realizadas em prol dos eventos.
Volto a dizer que são ótimas as conquistas, até o momento em que não tivemos a interferência da corrupção. O país estaria num mar de rosas se com esses investimentos, o capital gerado pudesse ser realmente reembolsado na educação, saúde, segurança e tantas outras falhas do governo desta nação.
Porém, a ascensão deste emergente e subdesenvolvido país é perigosa. As entrelinhas do que há para acontecer são bem maiores do que se possa imaginar. Muitos, com certeza, não pararam para pensar. Alguém já se perguntou sobre “o que não vai ser a Copa?”. A resposta é simples com significado complexo: a Coca-Cola. Pois é, multinacional norte-americana, dedinho estadunidense...
Não sei ao certo quantos tiveram o mesmo pensamento. Mas, se as recentes rebeliões obtiveram embasamento em pelo menos uma pequena gama desse aspecto, de fato, é de se assustar.
A personalidade, em geral, passiva do brasileiro, de fingir-se de cego (ou que “alguém” venda os olhos) mudou radicalmente numa época tão tumultuada como a que vivemos. São quatro anos seguidos de acontecimentos históricos e economicamente marcantes para o país:
2013- Copa das Confederações
2014- Copa do Mundo
2015- Eleição de mandato para a presidência
2016- Olimpíadas
É importante fixar bem os olhares principalmente no ano de 2015. Não esqueçam de quem realmente patrocinou a ditadura há alguns anos atrás. Assim como o meu possível egocentrismo sobre o atual estado de aflição, enquanto estudante, para tais acontecimentos, tudo que se faz na vida se tem a esperança de ser recíproco. Mas, nem sempre essa troca é tão vantajosa para ambos os lados.
A nossa democracia permite aos jovens a luta por um país melhor. Mas a motivação para essa luta talvez seja dada por aqueles que almejam algo por que se rouba, se corrompe e se mata.
Embora que especulativa, a situação é pavorosa e há uma possibilidade concreta a favor.

Por Júlia Helena e Águida Dantas

19 de fevereiro de 2013

Transparências



Já não sei mais. Nos pensamentos internos constantes, nos sentimos tão distantes da nossa realidade. Mas, essa é a “realidade” que queremos para nossas vidas.
Às vezes, tudo parece tão fácil, tão simples. Até pode ser. Porém, aquela ideia de ‘querer é poder’ parece nunca se encaixar em nossas vidas.
Não estou acometida pela pressa, a ansiedade já não é tanta. Na verdade, as Águas de março estão chegando tão rápido...
O pessimismo outrora é obra do destino. Mas, quem nunca pensou que algo não ia dar certo uma vez na vida, que atire a primeira pedra. Quem sabe a cruz que estamos carregando, não é aquela que podemos carregar. E como já diriam outros: Sem sofrimento, sem glória.
Agora tudo já parece mais transparente. É que, se vai junto, quem sabe vai bem, quem sabe não vai, que sabe se fica.
Esperamos por nossa imaginação fértil na calçada de casa, para nos trazer alguma alegria no final do dia. Esperamos aquele banho de horas, em que se precisaria de uma caderneta impermeável para registrar todos os pensamentos interessantes nesse momento. Esperamos por o momento de loucura, onde repensamos sobre tudo o que deveríamos ter feito e falado, existindo então, uma espécie de diálogo, onde interpretamos todas as personagens. Esperamos pelo travesseiro aconchegante. Esperamos pelo “Bom dia” de alguém querido. Esperamos pelo abraço da despedida. Esperamos que tudo isso aconteça de novo.
Aguardamos demais. A espera é inimiga do alcance. Só que certas horas, não se há o que fazer. Ou até se tenha. Mas o ter é difícil, falta ter coragem.

15 de fevereiro de 2013

Um toque

Por Arthur Castro. Focos Pro

Eu faço verso
Porque falar já não sei mais
Eu faço filme
Porque viver
Não me traz razões cruciais
E em ti penso
Com ânsias descomunais

Eu passo mal
Pois mal não consigo ser
A tristeza que me calha
É aquela
Que não consigo descrever
Maldito seja o poeta que disse
Que “não há você sem mim
E eu não existo sem você”

Eu faço cena
Pra ganhar um beijo teu
Até achava
Que eras o meu Romeu
E que te encontrei na porta
Do insano Ateneu

Eu sei amar
Como quem não ama nada
Eu sei chorar
Como quem chora por saudade
Eu sou criança
Com a inocência da verdade

Não me transmita
Sua descomunal paciência
De achar que sou passível
Nas minhas maiores confidências
Derramando sobre mim o teu fel
Com profunda transparência

Cansada de ti
Já estou
Cansada por inteiro
Eu sei que teus lábios beijo
Depois do tal cinzeiro
E Anjos me disseram
“Que em minha boca tu escarras”
Como quem é derradeiro

Bocas pobres, mal amadas
Que meus ouvidos atormentam
Logo eu, tão avisada
Não entendi um tal mexeriqueiro
Falando quem em minha boca tu escarras
Dito cujo, boateiro

O escarro é um veneno
Que se acomete a qualquer beijo
E que toma de conta
Do vosso corpo por inteiro
É o germe do coração
A doença do ano inteiro

Só que até o pôr-do-sol
Se encerra com um beijo.