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29 de julho de 2013

Para os que amam quebrar a casquinha do Cream Brulee com a colher.

Não é preciso gostar muito de cinema para se apaixonar pela francesa Audrey Tautou. Isso fica bem evidente quando se assiste pela primeira vez "O fabuloso destino de Amélie Poulain". A garota de grandes olhos, que logo cedo conquistou os diretores do filme por seu imenso talento de exibir sensações e sentimentos apenas com expressões (arriscaria dizer que são até bem singelas)não deixou vaga para outra possível Amélie. Mesmo não conseguindo pensar em outra pessoa para exercer tal papel, é estranho pensar que Audrey foi levada por acaso para o teste, uma vez que o roteirista Jean-Pierre tinha Emily Watson em mente. Incrivelmente, a atriz tem uma forte ligação com a personagem, o que é bem perceptível em seu teste para o elenco. É por essas e outras que sou simplesmente apaixonada por esse filme, pela atriz e essa sua forma expressionista de atuar. Aqui fica a dica para os que ainda não assistiram, e para os que já expectaram, mais um motivo para amar.

Júlia Helena

21 de julho de 2013

Benjamim



Não sei por que tens esse nome
Não faço ideia porquanto não me consomes
Necessito apenas de uma compra justa
Sem juros,
Cheque sem fundo
Ou falsa conduta

Um dia me dissestes que sim
No outro, já disse que não
Não me importo de ser tão material assim
Só quero ser de uso essencial
Eu sei,
a vida nem sempre é tão espiritual

A alquimia que também vivo a procurar
Infelizmente ainda não achei
Por enquanto apenas tenho que me contentar
Com esse meu arquivo de experiência
É um cheiro com um pouco de alecrim
Que se mistura com meu tom jasmim
Quando juntos, formam o frasco mais precioso
Algo parecido com o cheiro
Daquele dia chuvoso

Mas não era só a chuva que eu queria
Também não era o sol
Eu queria teu nome

Como se fez tal mentira?
A tua existência traíra
É que abriu a porta da minha solidão

Eu dizia: Benjamim!
E você fingia que não ouvia
Eu gritava tanto por ti
E você não tinha olhos pra mim

Um dia teus olhos me olharam
Um dia tua boca encontrou a minha
Porém nesse dia
Tu já não eras mais meu Benjamim
Descobri que sou beija-flor
"O segredo dos teus olhos" -Filme
Então, por favor, não beija-me
Minha amargura acabou
E agora, meu sorriso não pertence [a ti.

Júlia Helena

19 de julho de 2013

Sonâmbula e filósofa de Roliúde



Gostaria de ter melhores recordações. Mas, ao contrário do que dizem por aí, querer nem sempre é poder. Falo diretamente do futuro sobre o passado, porque o presente eu nunca ousei viver. Essas lembranças turvas em minha mente me causam arrepios que minha pouca sanidade não conseguem definir se são de tristeza ou de alívio.
Poderia continuar a falar do tempo e de minhas memórias, pois não consigo desviar esses assuntos de minha mente. Só que como bem diz a frase idiota, que muitos definem como clichê, a qual farei referência agora- “Se você não consegue superar o problema, ao menos supere o vício de falar sobre ele”. Por esse motivo barato é que tentarei fazer um esforço.
A dramatização de minhas palavras daria uma bela peça de teatro- e quando falo em drama, digo isso em todos os sentidos, desde a minha expressão neste momento ou aqueles mentirosos que ganham dinheiro nos palcos. É certo que a lida diária com gente de carne e osso é um tanto quanto complicada, por esse motivo, decidi viver num mundo que não é tão real assim, mas que consegue suprir os meus instintos de liberdade mais instantâneos.
Como bem costumo dizer, sou uma atriz do teatro da vida. Não me entenda mal, meus caros, e não achem que estou tentando sobressair minha altivez. Apenas acredito na tese de que quando nos lançamos ao mar, provavelmente, os medrosos voltaram na primeira grande onda. Já os virtuosos, de tanto nadar, nunca desistirão de encontrar o horizonte.
Peço desculpas ao finado (há alguns relevantes séculos) Immanuel Kant, que neste exato momento deve está revirando-se na cova (isto é, se ele teve uma). Entretanto, não quero fugir do foco desta prosa, que veemente não é falar sobre a morte dos filósofos. Apenas queria dizer que discordo dessas teorias formuladas para a felicidade.
acaicompeanutbutter.blogspot.com

Não acredito que com o cumprimento dos seus deveres e ações éticas se consiga alcançar algo tão abstrato e sem definição propriamente dita, assim como também não creio no fato de que a vida seja uma eterna busca pela Dona Felicidade, como disse Aristóteles.
A questão é tão complexa, que eu não acredito nessas teorias, entretanto não consigo formular a minha. Na verdade, eu nem sei o sentido de estar falando sobre isso agora. Talvez seja arte da efemeridade dos meus sentimentos e da minha vida instável.
Dizem que, de vez em quando, eu falo enquanto durmo. Outro dia, meu pai acordou-me com um balde de água fria, e eu mal consegui entender o que havia acontecido. Depois de secar-me e um resfriado se instalar em meu corpo, minha mãe decidiu me explicar toda a situação: eles estavam na melhor parte do sono, quando acordaram com um barulho estranho que vinha do meu quarto. Minha mãe assustada, fez com que meu pai fosse lá conferir.
 -Ele disse que você dormia e gritava feito uma louca pelo nome do... do...
 -É... eu acho que estava gritando pelo nome do DiCaprio.
 - Foiiii, foi isso mesmo! Aí, minha filha, você sabe como é seu pai, não pensou duas vezes quando viu uma você com mais uma dessas crises de sonambulismo, gritando pelo nome deste cabra.
Eu estava anestesiada. Não sabia se continuava ali, parada tentando não sobrepor meus olhos nos de minha mãe e desviando meu olhar para a parede (essa técnica sempre funcionava) ou se soltava o meu riso frouxo e aguentava ser chamada de louca pela segunda vez. A única coisa que me veio a cabeça foi -“De médico e louco, todo mundo tem um pouco” – então decidi olhar para a parede numa tentativa de achar respostas para o acontecido, enquanto minha mãe não conseguia fechar a boca. De nada adiantava, o som das palavras estava cada vez mais distante da minha audição.
Decidi, por um momento, parar de assistir filmes de ficção antes de dormir. Porém, eu não conseguiria, já que esse vício era mais forte do que eu. Desde a minha infância, eu era fascinada pela habilidade das mãos-de-tesoura do Edward, o mundo fantástico que a Alice havia encontrado dentro da toca de um coelho branco que falava e tinha um relógio, e da esquisitice de um velho cientista que conseguiu criar um boneco mais esquisito do que ele, e ainda por cima, deu-lhe o nome de Frankstein.
Algumas vezes, eu até me permitia usar as minhas trelas de criança e ficava espiando da porta da sala os adultos assistindo “Titanic”. BINGO! Tudo veio à tona agora- ontem, antes de dormir, eu tinha assistido “Titanic” e “Diamante de sangue”, ambos os filmes em que Leonardo DiCaprio era o protagonista com personagens e histórias totalmente diferentes.

Acho que eu tenho que fazer uma consulta urgente com meu terapeuta. Meus hormônios devem estar muito afetados.

Júlia Helena

1 de maio de 2013

MAIO DA LEGIÃO!


Acho que assim como eu, muitos compõem o grupo da Legião Urbana que não chegou a viver a época de Renato Russo, mas conheceu sua obra. E que obra! Cada música, cada vídeo, cada parte da sua vida é uma nova descoberta que nos leva a acreditar num mundo melhor e nos faz cada dia mais idolatrar o eterno poeta. Esse mês ele está sendo homenageado em dois filmes- Somos tão jovens- que estreia nos cinemas nessa próxima sexta-feira (03/05), contando a história da vida do idealizador e todo o percurso da banda, e - Faroeste Caboclo (30/05)- a história, que virou poema, que virou canção e agora estará no cinema. Nada é melhor do que prestigiar a cultura brasileira de qualidade, principalmente quando se trata de cinema (espero que não sejamos decepcionados). Grandes expectativas!